Publicado em: 14/12/2020 13h13 – Atualizado em: 23/08/2021 14h27

Quando usar FAZER QUE / FAZER COM QUE

LEMBRE-SE:

Quando usar

Fazer que / fazer com que

Como tantos outros verbos que apresentamos em publicações anteriores, o uso de uma forma ou de outra depende do sentido que queremos dar. No caso, vamos ver uma diferença de regência verbal que remete a sentidos diferentes. Assim:

No sentido de “fingir”, deve-se empregar fazer que.

“Ele faz que não entende nada do que lhe dizem só para não se meter em confusão.”

“Aquele cantor é tão antipático, ele sempre faz que não percebe quando uma fã se aproxima para lhe pedir um autógrafo.”

A esse respeito, da acepção “fingir”, convém lembrar que é possível também usar fazer-se de ou fazer de.

“Todos os que estavam na audiência perceberam que o réu se fez de/fez de desentendido só para não responder às perguntas do promotor, que não escondeu sua irritação.”

“Não adianta nada aquele professor fazer de/se fazer de rigoroso nas aulas e, nas avaliações, dar dez para todo mundo, é um contrassenso.”

Com o significado de “esforçar-se por algo”, “empenhar-se”, “obrigar” ou “causar”, usa-se, indistintamente, fazer que ou fazer com que.

“A pressão da multidão foi tamanha que fez (com) que os seguranças tivessem de abrir imediatamente os portões do estádio, a fim de se evitar uma tragédia.”

“Aquela deputada sempre argumenta tão bem que faz (com) que todos aceitem suas sugestões, até mesmo aqueles que a princípio discordam de suas ideias.”

O gramático Evanildo Bechara faz uma distinção, chamando a atenção para o fato de que, quando pretendemos enfatizar o esforço empreendido pelo sujeito da ação, devemos empregar faz com que.

“Todo o esforço não foi em vão, os médicos fizeramcomque a paciente resistisse a uma severa parada cardiorrespiratória.”

“Uma manobra de mestre fez comque ele conseguisse escapar ileso do que poderia ter sido um acidente fatal.”

Vale ressaltar que, na língua portuguesa, existem inúmeras expressões, muitas delas bastante populares, com o verbofazer. Para ilustrar, relacionamos a seguir algumas muito usadas no nosso dia a dia.

FAZER A CAVEIRA (de alguém): falar mal do outro, manchando sua imagem.

FAZER A EGÍPCIA: fingir que não viu; ignorar.

FAZER AS CONTAS (de um empregado): pagar o que se deve a um empregado para despedi-lo.

FAZER AS PAZES: reconciliar.

FAZER DE CONTA: fingir; dissimular; entrar no mundo da fantasia e acreditar no imaginário.

FAZER FRENTE: enfrentar; resistir.

FAZER HORA: “enrolar” para o tempo passar.

FAZER JUS: merecer algo ou esforçar-se muito por alcançar; ser merecedor; ser digno de.

FAZER POR ONDE: fazer por merecer.

FAZER QUESTÃO: querer muito.

FAZER SALA: fazer companhia a alguém durante uma visita social.

FAZER TIPO: fingir ser o que não é.

FAZER UM BARRACO: fazer um escândalo, causando constrangimento.

FAZER UM PAPELÃO: fazer algo aquém do que é esperado pelos outros.

FAZER UM SOCIAL: circular e conversar com as pessoas.

FAZER UMA VAQUINHA: arrecadar dinheiro de várias pessoas para comprar algo.

São tantas as expressões que a gente acaba não se dando conta, não é?Por isso, fizemos o máximo (ops, olha outra expressão aí) para elaborar uma lista e, assim, conferirmos a riqueza de sentidos de um entre tantos outros verbos de nossa língua.