Publicado em: 21/08/2020 17h02 – Atualizado em: 23/08/2021 14h27

Uso de sequer

LEMBRE-SE:

USO DE “SEQUER”

Sequer é um advérbio de intensidade, sempre usado em orações negativas. Esse advérbio, cujo significado é “ao menos”, “pelo menos”, não tem, por si só, sentido negativo. Para indicar negação, precisa ser antecedido de uma partícula negativa, como “nem”, “sem”, “nunca”, ou ser usado em orações nas quais já existe uma negação. Assim:
“Por vezes, vemos quão limitada pode ser a linguagem verbal, pois nem sequer conseguimos expressar integralmente nossos pensamentos e/ou sentimentos.”
“A nova série daquela plataforma de streaming foi um fracasso tão retumbante que não atingiu sequer mil visualizações.”
Segundo a gramática normativa,não são corretas frases como estas:
“Minha filha voltou do supermercado e sequer comprou um mísero litro de leite.”
“Aquele ator de televisão, crendo-se muito conhecido por todos, sequer se deu ao trabalho de dizer seu nome na recepção.”
Nessas duas orações, é necessário inserir a conjunção aditiva nem, ou o advérbio não, para explicitar seu teor negativo.
“Minha filha voltou do supermercado e não comprou sequer um mísero litro de leite.”
“Aquele ator de televisão, crendo-se muito conhecido por todos, nem sequer se deu ao trabalho de dizer seu nome na recepção.”
Vale ressaltar que a língua é um organismo vivo, em constante mudança. Contrariando a norma culta, é cada vez mais frequente, no português moderno, entre os falantes e até mesmo na imprensa escrita, o uso isolado do advérbio sequer em construções que explicitam uma negação. Isso poderá vir a ser definitivamente incorporado na nossa língua e aceito e registrado por nossos gramáticos. Fato semelhante ocorreu, por exemplo, com o advérbio jamais, que, a princípio, assim como sequer, não tinha, por si só, sentido negativo.