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Usos do subjuntivo (II)

LEMBRE-SE:


USOS DO SUBJUNTIVO (II)

Veremos, hoje, mais alguns empregos do subjuntivo, comumente o modo das orações subordinadas, do ponto de vista sintático e semântico, ou seja, do significado.

1) Há casos em que o uso do subjuntivo “não é de lei”, mas, se empregado, define o sentido daquilo que se quer dizer. Assim, quando a oração principal denotar, por si só, a noção de suposição, de incerteza, e o verbo da oração subordinada estiver no subjuntivo, tal ideia é reforçada.
“Acredito que ele tenha muitas razões para não vir.”
“Suponho que Natália faça questão de ficar em silêncio, caso se sinta pressionada.”
“Não consigo imaginar quem faça algo tão cruel.” (Trata-se de algo projetado, de uma hipótese.)

Essas mesmas orações subordinadas, se tiverem o verbo no indicativo, assumem um aspecto de algo factível, real.
“Acredito que ele tem muitas razões para não vir.” (Quem afirma isso tem certeza de que há razões consistentes para ele não vir.)
“Suponho que Natália faz questão de ficar em silêncio, caso se sinta pressionada.” (Natália ficará em silêncio, se ela se sentir pressionada.)
“Não consigo imaginar quem faz algo tão cruel.” (Trata-se de algo feito, alguém já fez aquilo a que se refere o sujeito da oração principal.)

2) O subjuntivo é igualmente empregado em orações subordinadas que relatam fatos que não se realizaram no passado.
“Pensava que fossem eles os indiciados” (mas não eram).
“Todos supunham que Ester tivesse fôlego para terminar a maratona” (mas não tinha).

Nesses casos, os verbos no subjuntivo podem ser substituídos por verbos no futuro do pretérito do indicativo.
“Pensava que seriam eles os indiciados” (mas não eram).
“Todos supunham que Ester teria fôlego para terminar a maratona” (mas não tinha).

3) Em orações que expressam eventualidade e que estão subordinadas a uma oração principal de sentido negativo, emprega-se o modo subjuntivo.
“Ninguém aqui espera que você cumpra suas obrigações, dado seu comportamento errático.”
“Não acreditamos que ela seja essa criatura impiedosa, tal qual é retratada por seus familiares.”

4) Nas orações subordinadas a um verbo que remeta à ideia de existência e venha seguido de “quem”, também se usa o subjuntivo.
“Você acha estranho? Pois eu lhe digo: não falta quem pense desse jeito, é por isso que estamos nesse atoleiro!”
“A gente tem que aceitar isto: há quem prefira assistir a qualquer porcaria na TV a ler um livro.”

5) Quando se emprega uma oração proporcional em que há uma noção de futuro, usa-se o futuro do subjuntivo.
“Quanto mais Philippe disser que não gosta de matemática, mais ele continuará indo mal nas provas, pois nunca vai querer se dedicar a essa matéria.”
“À medida que nós fizermos mais pontos, as fases seguintes ficarão bem mais difíceis, essa é a lógica de qualquer jogo eletrônico.”

6) Nas orações subordinadas comparativas e conformativas, será usado o futuro do subjuntivo sempre que houver a noção de “futuridade”, ou seja, daquilo que está por vir.
“Eles não desistem facilmente, reclamarão tanto quanto conseguirem, a fim de serem ouvidos.”
“Conforme o que ele disser, saberemos se nosso projeto foi aprovado ou não.”

7) Por fim, vale lembrar que o uso da conjunção concessiva “embora” leva ao emprego do verbo no subjuntivo.
Embora seja óbvio, ninguém tem coragem de dizer a Adriana que sua roupa está brega, quase constrangedora.”

Também se usa o subjuntivo com “talvez” anteposto ao verbo.
“Mesmo sem ter sido convidado, talvez ele até apareça, já que é bem do feitio dele esse comportamento inconveniente.”

Enfim, essas foram as observações que gostaríamos de passar sobre os usos do subjuntivo. Trata-se de um tópico extenso e que não se esgota aqui. Tentamos, todavia, expor os casos em que o emprego desse modo verbal se faz necessário, uma vez que contemplam o seu aspecto essencial, que é o da suposição, da hipótese.

Publicado em 04/11/2021 às 16h27 e atualizado em 16/02/2022 às 16h25