Publicado em: 07/10/2021 17h41 – Atualizado em: 08/10/2021 12h08

Crase (VII)

LEMBRE-SE:

Crase (VII): uso facultativo

Vejamos dois casos em que o uso da crase é opcional:

  1. Antes de pronome possessivo

“Emprestei à/a sua irmã dois livros, para que ela pudesse concluir a pesquisa sobre o expressionismo alemão no cinema do período pós-Primeira Guerra Mundial.”

“Sejam bem-vindos à/a nossa cidade, esperamos que gostem das inúmeras atrações. Somos conhecidos como o polo dos parques aquáticos e águas termais do interior de São Paulo.”

A razão por que aqui é facultativo o uso da crase é simples: antes de pronome possessivo, podemos usar, ou não, o artigo.

Sua teoria sobre vida extraterrestre é muito esdrúxula, não dá sequer para entender!”

OU

A sua teoria sobre vida extraterrestre é muito esdrúxula, não dá sequer para entender!”

“A ciência sempre se pauta por colocar em xeque nossas crenças mais arraigadas, é assim que ela funciona e progride.”

OU

“A ciência sempre se pauta por colocar em xeque as nossas crenças mais arraigadas, é assim que ela funciona e progride.”

  1. Com a locução até a, antes de palavra feminina

“Fomos até a/à praça, para ver o pôr do sol.”

 Corri até a/à estação e consegui pegar o último trem que partia para o interior.”

Nesse caso a crase é opcional porque, quando empregamos nomes masculinos, o uso do artigo o é facultativo.

“Fomos atéo/aoshopping para aproveitar a liquidação de inverno.”

“Chegou até o/ao ponto de táxi, mas voltou porque se lembrou de ter deixado o portão destrancado.”

No uso de até a, vale uma ressalva importante: quando houver ambiguidade, o uso da crase será necessário. Vejamos este caso, por exemplo:

“As labaredas de fogo consumiram tudo, até à porta do estabelecimento comercial.” (= o fogo queimou tudo, chegou até à porta, mas esta não foi queimada)

“As labaredas de fogo consumiram tudo, até a porta do estabelecimento comercial.” (= o fogo queimou tudo, inclusive a porta)

Antes de concluirmos, vale reiterar que o uso do acento indicativo de crase é algo a que devemos estar muito atentos, pois dele pode depender o sentido do que queremos expressar. Para ilustrar, relembremos, por exemplo, alguns poucos casos em que um mero acento grave pode mudar totalmente o sentido:

Cheirar a rosa (sentir o perfume da flor)

Cheirar à rosa (exalar o perfume da flor)

Matar a fome (saciar a vontade de comer)

Matar à fome (deixar alguém sem comer até morrer)

Pintar a mão (colorir a mão. No caso, pintar as unhas)

Pintar à mão (usar a mão para pintar)

Ufa, finalmente terminamos nossa série sobre crase! A lista de regras não é pequena, mas elas podem ser gradualmente assimiladas, sem pressa nem autocobranças excessivas. Esperamos que nossos verbetes ajudem a todas e a todos a compreender que o uso da crase não é uma “firula”, mas algo que revela e exige uma compreensão da relação entre as palavras em uma frase.